segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

O Anjo Exterminador por Eny de Oliveira

Sem dúvida alguma um filme intrigante. Repleto de metáforas de difícil compreensão, Luis Buñuel expõe as mazelas da sociedade aristocrática de uma maneira inquietante.  Buñuel nos convida a participar de um jantar onde o prato principal é natureza humana. Independente da casta social que ocupam, nas situações limite as pessoas se revelam. Animais ocupam as cenas numa clara analogia comportamental.  Aqui os instintos selvagens são colocados à prova.
O filme explora a contextualização política, sempre atual no sistema capitalista e aborda a psique humana, levando-nos do desespero ao alívio por não estarmos naquela casa. Entretanto, ele faz você se perguntar o tempo todo se você está do lado de dentro ou do lado de fora. Fica explícito o bloqueio social das camadas superiores – quem está fora não consegue entrar e quem está dentro não consegue sair.
Ao final, não consegui deixar de pensar no nosso saudoso poeta Cazuza e lembrei-me do seu desabafo: a burguesia fede.

A marvada Carne por Lidianne Seabra


“Bebida é água!Comida é pasto! Você tem sede de que? Você tem fome de que?...A gente não quer só comida
A gente quer comida. Diversão e arte. A gente não quer só comida. A gente quer saída. Para qualquer parte(...) Diversão, balé. Como a vida quer
Desejo, necessidade, vontade
Necessidade, desejo, eh!
Necessidade, vontade, eh!
Necessidade...” Titãs..

Desejo, necessidade e vontade.
Acredito que esses sentimentos se misturam e impulsionam o ser humano, em qualquer lugar, sob quaisquer circunstancia. O filme “A Marvada Carne” explora essas sensações instintivas vividas pelos personagens, e é a partir daí que se desenrola toda a estória do longa-metragem. A meu ver, essa abordagem torna a película de André Klotzel, de 1985, sempre atual.  O roteiro trata de muitos assuntos de maneira simples, principalmente a vida do caipira, suas crenças, o folclore brasileiro e o êxodo rural.
A Marvada Carne é uma comédia e praticamente um resgate da cultura caipira. Sua estória, muito bem caracterizada, começa com o canto do galo.  O personagem NHo Quim, interpretado por  Adilson Barros, está entediado com a solidão e a mesmice de sua vida cotidiana, com a alimentação simples e repetitiva dos moradores do campo. Ele vai à busca de realizar dois desejos: comer carne de boi e encontrar uma mulher que cuide dele.   Autosustentável, o caipira come o que produz, daí a vontade de provar o que não havia no seu dia a dia: a carne de boi. Nestas andanças, em prol de realizar seus desejos, ele chega a um sítio onde esta Sacarula, personagem interpretada por Fernanda Torres.
Sacarula é devota de Santo Antonio e não o larga até realizar seus desejos. Como ela discute constantemente com o santinho, ele “revida” os desaforos com alterações nas expressões da estátua que o simboliza.  Mas como o que a moça quer de verdade é arranjar um casamento, chega aos extremos de afogar o coitado do santo. E seu desejo de matrimônio não é igual aos das raparigas atuais. A vontade de Sacarula é só casar, pois já esta ficando velha, próxima de completar dezessete anos – sendo que as caipiras da sua região casavam entre quinze e dezesseis anos – se desespera e abre mão do romance, só quer mesmo é arrumar o casório.  Mas ela se cansa de pedir um marido a Santo Antônio, e num desvario, joga o santo pela janela, acertando Nho Quim na cabeça. Sacarula acha que o Santo atendeu seus pedidos enviando aquele caipira e faz de tudo para ser notada por ele. De início, ele não se interessa pela moça.  Porém, usando de simpatia, a esperta caipira consegue descobrir que Nho Quim tem desejo de comer carne de boi.  E é através disso que ela consegue laçá-lo.  Ele acreditava que na festa de seu casamento o pai da donzela mataria um boi.  Foi assim que  Nho Quim pediu a mão de Sacarula. O pai sugeriu que ele fizesse umas provas.  Depois de muitas provações eles decidem dar o “jeitinho brasileiro” e resolvem casar escondidos, pois assim já casados era só matar o boi. Porém o boi era o boi Barroso, que é uma figura do folclore, alguns já viram, outros não. Na verdade, o boi Barroso é uma lenda. E não seria desta vez que Nho quim ia provar a bendita carne de boi. Mas, já casado, ele passou a sentir-se feliz, já que também queria uma esposa. Eles tiveram dois filhos, segundo Nho Quim uma fêmea para mandar na casa e um macho para mandar no mundo. 
E vida continua a mesma na roça, e esta mesmice incomodava Nho Quim. Num dia chuvoso, ele fica encasquetado, será que nunca provaria carne de boi?  Então, resolve que faria qualquer coisa para realizar a sua vontade. E assim vai procurar o diabo, interpretado por Regina Casé, e como próprio Nho quim diz no filme “E foi desta feita que o pobre filho de Deus foi pra cidade”  E Lá, com o dinheiro da venda da galinha preta para o “Coisa Ruim”, depara-se com uma loja de TVs, onde coincidentemente passava uma reportagem sobre raças de  gado, ele não estava acostumado com a modernidade da cidade e acreditou que era assim que se comprava a carne. Foi enganado por um qualquer. E lá se foi embora seu dinheiro.
No entanto, como um bom caipira ou bom brasileiro, não desisti nunca.  Se ele foi até o diabo, o que faltava para conseguir a carne de boi?  Faltava a oportunidade!
E Nho Quim diz “Nada como um dia após do outro e uma noite no meio” E de repente teve um saqueamento a um supermercado. Este é o seu dia de glória. Ele entra e pega um pedaço de carne.  Corre pela cidade com a carne travada em seu peito, passa entre os carros (aqui, temos a vaga idéia de que ele vai se dar mal). O nosso anti-herói termina num churrasco de laje no subúrbio.  Ele comeu a carne e fica ali, do campo à cidade.
Enfim, apesar de Nho Quim ser amoral, a gente torce por ele. O filme, da Tatu Filmes, é cheio de detalhes da vida da roça, e com certeza, quem é brasileiro deve ter se identificado com alguma parte do longa. Afinal, podemos dizer que nossa história contemporânea herdou muito dessas raízes caipiras. Como exemplo: os mutirões, a marmita embrulhada no pano de prato, entre outros. O longa é uma bela comédia, de aparência simples, que transborda informações. Sem romance e erotismo, a Marvada Carne é repleta de causos.  Uma obra brasileira por inteiro. Que nasce do desejo, necessidade e vontade de mostrar a cultura caipira como legado aos brasileiros.



                                               


é o que eu senti
é o que eu senti
é o que eu senti
é o que eu senti
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17:48
vc é diferente,,,rs
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sim
vc não gosta?
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sim.... mas me confundi
a minh vida esta confusa
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17:53
sim
acredito em vc
mas nao quero te atrapalhar


O Anjo Exterminador por Vivian Lie

“Deus ordenou a Moisés “que prevenisse os chefes de famílias israelitas para que tomassem e preparassem um cordeiro de um ano e sem mancha, e com o seu sangue tingissem todas as portas”.
E disse Moisés ao seu povo: 'Esta noite mandareis assar este cordeiro e o comereis com pão ázimo (sem fermento), em pé, com a cintura cingida, sandálias calçadas, e um cajado na mão, como quem está com pressa de partir. Mas ninguém ponha o pé fora de casa antes que amanheça, porque nesta noite o Anjo do Senhor ferirá os egípcios; onde vir os portais tintos de sangue, não entrará e passará além”.
“Pela fé Moisés celebrou a Páscoa e fez a aspersão do sangue, a fim de que o anjo exterminador dos primogênitos não tocasse os israelitas”.
“O cordeiro pascal é a figura do Redentor, que com o seu sangue nos resgatou da morte e abriu-nos o caminho da salvação eterna"
Um grupo de pessoas da classe alta desfrutam de um jantar formal na mansão de amigos e por uma força maior e inexplicável não conseguem ir embora. Com o passar do tempo as convenções vão caindo até que estes elegantes convidados chegam à degradação máxima mostrando seus instintos primitivos.

O filme Anjo exterminador é aberto para inúmeras interpretações e pode ser analisado sob diversos aspectos. É possível uma interpretação sob o ponto de vista religioso, político, idílico, filosófico ou existencialista e do universal embate entre a burguesia e a classe trabalhadora entre outros.

Buñuel não pontua nada. Inclusive o próprio afirmou em entrevistas que muitas de suas escolhas foram arbitrárias sem nenhum simbolismo definido. Mas ao falar sobre as repetições que empregou diversas vezes neste e em outros de seus filmes, Buñuel afirma que gostava da característica hipnótica e idílica das repetições. Partindo deste princípio o filme inteiro pode ser interpretado como um devaneio ou um sonho, pela característica idílica das repetições, da cena da mão que anda desprendida de um corpo ou do absurdo da situação em que os personagens se encontram. E como nos sonhos, nos deparamos com símbolos e situações absurdas que não conseguimos explicar quando estamos conscientes, é possível que Buñuel tenha arbitrariamente, imprimido em seu filme símbolos e situações que conscientemente para ele não têm nenhum significado, mas que na verdade seriam manifestações de seu subconsciente que no conjunto de sua obra fazem sentido.

Mas há considerações que podemos fazer como possíveis interpretações do filme.

O título “O anjo exterminador” está na Bíblia e é referência em certos cultos religiosos. Na Bíblia Deus deu ordem a Moisés para que este prevenisse os israelitas dos ataques do anjo do extermínio aos primogênitos de todas as famílias. Para que fossem poupados os israelitas teriam que tingir suas portas com o sangue de um cordeiro, que deveria servir de alimento naquela noite,sendo que estas famílias foram instruídas a não sair de casa até o amanhecer. O cordeiro então passou a significar a salvação, pois com seu sangue os resgatou da morte e lhes abriu o caminho para a salvação eterna.
É impossível não se estabelecer paralelos entre esta parábola bíblica e o filme de Buñuel. Como as famílias que não podiam sair de casa até o amanhecer, os burgueses não podiam ou não conseguiam sair da casa mesmo que por motivo desconhecido. Eles passam o decorrer dos dias como se a noite do jantar nunca houvesse terminado, idéia que é reforçada no final do filme quando Letícia faz a reconstituição do que ocorrera naquela noite com o objetivo de se fechar o ciclo que estaria inconcluso e assim conseguindo libertar a todos. Há também o elemento do cordeiro que no filme também salva os burgueses da morte. E isso acontece duas vezes pois a última cena do filme mostra um maior número de cordeiros entrando na igreja onde os burgueses novamente e agora outras pessoas estão aprisionadas, talvez como uma forma de passar a idéia de salvação, ressurreição ou a piedade de Deus. Outro ponto seria o de que no mundo de fora da mansão, militares exterminam manifestantes nas ruas, o que pode ser um paralelo com o anjo que extermina os primogênitos.

Buñuel declarou que quis mostrar com este filme que a agressão é inata ao ser humano. Ele mostra que até mesmo a burguesia, que se julga superior aos demais, quando levada ao limite, se comporta como seres primitivos ou animais. Estamos acostumados a nos esconder por trás de convenções sociais, portanto são em situações limite que vemos o que uma pessoa seria capaz de fazer.A burguesia vê o proletariado como animais, o que também é dito por uma das personagens no início do filme. Assim se dá uma inversão de papéis.

Podemos pensar também sob o aspecto da alienação da nossa sociedade. No filme, os convidados são como os cordeiros que seguem uns aos outros sem saber o porquê, sem questionar. Ninguém sabe por que não conseguem sair da casa, porém como cordeiros fazem o mesmo que o outro faz. E assim ninguém consegue tomar a iniciativa de ir embora mesmo que isto seja prejudicial a eles. É como a nossa sociedade que cegamente vive sendo influenciada por outros e pelo sistema sem questionar. E quando querem sair de tal situação que lhes é prejudicial não conseguem tomar a iniciativa para que a mudança ocorra de fato.

Do ponto de vista político, poderia ser uma crítica à ditadura que acontecia na época em que este filme foi feito. Da mesma forma que a ditadura tira a liberdade do povo que está fora da casa, os burgueses simpatizantes da ditadura também têm sua liberdade arrancada pelo fato de não poderem por uma força maior, mesmo que estranhamente, sair da casa. O que também pode passar a idéia do poder do inconsciente coletivo e da unidade, pois afinal de contas não somos tão distintos uns dos outros como julgamos ser.

Porém devo enfatizar que tudo que foi dito são apenas hipóteses, pois é possível que na verdade Buñuel esteja nos pregando uma peça. Como ele mesmo disse:

“As pessoas sempre querem encontrar uma explicação para tudo. É a conseqüência de séculos de educação nos moldes burgueses. E para tudo que não conseguem achar uma explicação, elas recorrem a Deus como último recurso. Mas para que isto vai lhes servir? Pois ao final terão que explicar a Deus.”

Desta forma Buñuel faz de nós, espectadores, como os burgueses que estão aprisionados pelas suas próprias convenções na casa, estamos aprisionados em nossas mentes tentando em vão explicar este filme.



Festim Diabólico por Marcelo Moura Batista

MARCELO MOURA

Brandow Shaw é realmente um psicopata ?

Psicopatas são conhecidos por serem “eloqüente, sedutor e manipulador”, com o agravante de não sentirem medo ou qualquer tipo de compaixão com o outro. Todas características marcantes na personagem de Brandow Shaw (James Steewart).

Para certificando se realmente a personagem é um psicopata, utilizamos a tabela criada pelo psicólogo Robert Hare para facilitar identificação de possíveis psicopatias. Em seu trabalho ele  apresenta doze características típicas de psicopatia, que devem ser somadas para determinar o possível grau do transtorno de personalidade. Das características aprestadas podemos facilmente notar nove: Boa Lábia, Ego Inflado, Lorota Desenfreada, Sede por Adrenalina, Impulsividade, Comportamento Anti-social, Falta de Culpa, Sentimentos Superficiais, Falta de Empatia (com o próximo). Duas características são difíceis de julgar dadas as informações apresentadas no filme: irresponsabilidade e má conduta na infância.

Não apresentando nitidamente apenas uma: Reação Estourada. A quantidade de características apresentadas, permite classificá-lo com alto grau de psicopatia.
Buscando mais esclarecimento sobre que tipo de psicopatia Bradow sofre, procuramos adequá-lo aos modelos propostos por Theodore Milan (Psicólogo de Harvard), que classifica de acordo com outros desvios de personalidade. Entre os modelos apresentados, ele se facilmente se classifica no  “defensor da reputação”. Tipo de psicopata que carrega fortes traços narcisistas e normalmente se comporta como uma espécie de “macho alfa”. Que ajudaria a explicar sua fixação pelas teorias de Nietzsche, de onde legitimava sua “superioridade” perante os outros homens, estando acima das leis da polis.

No entanto tais justificativas filosóficas não funcionavam como mecanismo de defesa psíquica (Racionalização) como poderia ocorrer com uma pessoa normal (não psicopata) para justificar seus feitos criminosos. Livre de apego ao “Contrato social” a teoria além de acariciar seu ego que provavelmente o julgava um verdadeiro Übermensch (O super homem de Nietzsche) servia como uma luva para tentar obter seguidores para seus atos nefastos. Funcionando perfeitamente com seu “amigo” Phillip Morgan (Farley Granger), que certamente precisaria de tais justificativas por não ser psicopata - Condição em seu caso facilmente descartada por demonstrar remorso e medo – e que tentaria aplicar com seu antigo professor: Rupert Cadell (James Stewart) de qual assimilou as teorias que trouxe para a materialidade.

O motivo mais provável que o levou arquitetar e cometer o crime e o ousado ritual que o seguiu. Deixa o assassinato ainda mais aterrorizante: o Tédio. Sensação que segundo alguns especialistas atormentam inúmeros psicopatas que chegam a cometer assassinatos apenas para fugir da monotonia. No caso de Brandow Shaw, também a forma que encontrou de provar sua superioridade. A elaboração do crime perfeito, elaborado da forma que o fornecesse a maior quantidade de adrenalina possível, um verdadeiro “Festim diabólico”.


A Memória a Serviço do Suspense
Hitchcook é conhecido e lembrado até hoje como o grande mestre de suspense, título que pertence ao senso comum mundial, até mesmo por quem nunca viu um único filme do diretor. Fama que ultrapassa décadas, dado o seu extraordinário talento e a capacidade de trabalhar o subconsciente de seus espectadores.

Entre tais capacidades, temos a estratégia de condicionar os sentimentos do expectador a objetos mundanos, típicos de nosso cotidiano. Em suas mãos: isqueiros, óculos, bonecas, se tornam “gatilhos” capazes de evocar o sentimento desejado cada vez que o objeto retorna a tela.

Técnica que  Carriére denomina “memorização da imagem”, que segundo o autor é mais forte e duradora que a palavra. Ao ponto de podermos assistir o filme e esquecermos completamente da história, mas dificilmente esqueceremos do objeto escolhido por Hitchcook para marcar sua obra.  

Analisando, como exemplo, o filme “Festim Diabólico”temos uma corda, que também nomeia originalmente o filme (“rope”, corda em inglês), que será apresentada no inicio do filme como a arma do assassinato e que ira retornar inúmeras vezes a tela, ampliando a cada ressurgimento a angustia do expectador, relembrando sua “cumplicidade” perante o crime.
A quem duvidar dos “terríveis poderes” mnemônicos do mestre do suspense, fica o desafio de assistir outros clássicos do diretor e verificar o “poder” que tais objetos podem despertar aos seus sentimentos e quem sabe nunca mais ver alguém segurando uma gravata com os mesmos olhos . 

O Anjo Exterminador por Priscila Cruz


Quando a máscara da Burguesia cai…

Um filme de 1962, do diretor Luis Buñuel, começa mostrando uma alta classe da sociedade em uma festa de gala, onde tudo parece bem até a hora em que todos resolvem ir embora, mas, por algum motivo, não con - seguem sair da sala em  que estão -  e quando pensam em sair, inventam alguma desculpa para continuar naquela situação. Após dias confinados, as máscaras começam a cair, e eles começam a agir não mais como aquela classe que se diz superior, mas sim conforme seus instintos mais primitivos.
Luis Buñuel faz nesse filme uma explícita crítica à elite - classe a qual ele tanto desprezava- e à igreja - descrevendo os supérfluos costumes da elite através de burgueses hipócritas e arrogantes, retratando-os como cruéis e desumanos, e mostrando sua desconsideração para com a classe mais humilde - como na cena que o empregado cai e todos riem sem o ajudar, e a cena que uma mulher conta que achava que as classes mais baixas não sentiam dor e por isso não sentira nenhuma pena ao ver dezenas de pobres esmagados por um trem. Para fugir um pouco da realidade, Buñuel cria um clima onírico em que representa as alucinações dos personagens- influência do Surrealismo.
Totalmente desprovido de trilha sonora, esta é representada por sons onomatopéicos, O Anjo Exterminador é um filme que todos devem ver para ficar consciente da verdadeira realidade e escória que está por trás de toda a ostentação da classe burguesa.
https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjHC4c6ODTrbJdnKmCQLYlqk1-iDb2m9CuvrA9mNTrQzUBnUqscjjDIc9_sAF4i5ETLHEBBAhjx7N3qErdMmakG9VRlr_GyO5M_ziLi0n3TUmZLkx0QvkDnmSmOdnx9cMWU2DU6tkkPO18/s1600/supercine-anarquia.blogspot.com.jpg

O Anjo Exterminador por Marcelo Moura Batista


Trilha sonora do inconsciente.

O clássico filme mexicano o “Anjo Exterminador” é praticamente desprovido de trilha sonora, com exceção aos poucos trechos de música tocadas no piano pelos artistas ao longo do filme e os tradicionais efeitos sonoros. Efeitos que nas mãos de Luis Buñuel adquirem funções simbólicas e contribuem diretamente a narrativa do filme.

Em suas mãos, barulhos de relógios e sinos da igrejas - Sons típicos da normatização da sociedade:  contemporânea e medieval -, são usados de forma pontual na separação dos momentos de “normalidade” para a surrealidade presentes na intrigante estória do filme.

Faz uso agressivo de ruídos considerados por muitos barulhos extremamente irritantes, como barulhos de serrote, “arranhar de giz”, que detém a capacidade de interferir em nosso sistema nervoso, provocado sensações como: ansiedade, agressividade e cansaço. São somados a imagens extremamente claustrofóbica para aumentar ainda mais a angustia do expectador a medida que a situação dos personagens fica cada vez mais desesperadora.  

Pequenos detalhes que mostram, por que Buñuel é um diretor tão cultuado. Comprovando que o cinema é muito mais que imagens em movimento e que barulhos triviais podem ser utilizados como recursos cinematográficos na exploração de sensações e condutores do roteiro.


domingo, 28 de novembro de 2010

Marvada Carne por Marcelo Moura Batista

Tal como uma típica piada de caipira que destaca a inocência do "jeca" perante a esperteza do malandro urbano e que ao final é sempre surpreendido pela astucia e vivência do matuto. É exatamente o que "Marvada Carne ", seu pôster e capa do VHS/DVD fazem com o seu público.
Lançado em 1985, época que o cinema nacional para a maioria dos brasileiros ainda era sinônimo de pornochanchada. O nome do filme e imagens vinculadas estimulava o expectador de fértil imaginação a acreditar no provável apelo sexual do filme. Especialmente ao notar no pôster do filme: um caipira a beira do lago, aparentemente sonhando com a bela e jovem Fernanda Torres, portanto um malicioso olhar de inocência.
Uma verdadeira arapuca ao incauto expectador que movido por ilusões poderia  acabar vendo um filme extremamente diferente do que o imaginado. Ledo engano que provavelmente conduziu inúmeros desenformados expectadores assisti-lo. Infelizmente nunca saberemos o quanto a estratégia funcionou de fato. Mas dada a grande bilheteria do filme, podemos estipular que muitos fatalmente caíram na " armadilha".
Estratagema que fatalmente não funcionaram se não fosse a genialidade do filme, que consegue apresentar uma complexa história de forma simples, em uma linguagem cinematográfica que consegue a difícil  façanha de agradar crítica e público.
Tanto que no lançamento do filme em DVD a estratégia foi mantida na capa do DVD. Agora com Fernanda Torres abaixada próxima ao rio com um olhar de que vai aprontar alguma coisa.
Enquanto, em outra imagem, Adilson Barros aparece com um olhar de desejo. Que dificilmente alguém que apenas observasse a capa imaginaria se tratar de uma " fome psicológica" pela carne de boi.
Quem caiu na " armadilha " pode ter gostado ainda mais do filme do que os expectadores que conscientemente foram assistir a obra. Por terem sidos obrigados a confrontar sua próprias expectativas. Estranho fato que pode ser explicado pelo ditado popular: "  Me engana que eu gosto". Especialmente se a surpresa for tão boa quanto o filme e André Klotzel.
Caso não tenha convencido o amigo leitor da  " felicidade de ser enganado", sugiro que pense que do contrário: Não haveria tantos shows de mágicas, Orson Welles não faria tanto sucesso e os filmes de finais surpreendentes não marcariam tanto.